Legacy

O Teu Legado Não São (Só) Crianças 

Do ponto de vista legal o legado é aquilo que se deixa por testamento  a quem não é herdeiro principal ou algo que se transmite a outro que vem a seguir.

Mas do ponto de vista biológico-cultural é comum entender os filhos próprios como o seu maior legado.

De certa forma é: porque se está a transmitir genes para o futuro, pela continuidade da espécie, e a passar  para a frente toda a memória genética de todos os ancestrais  que estão para trás, na nossa linha de vida.

De certa forma os filhos biológicos são um legado genético para o mundo.

E é normal que, na qualidade de pai ou mãe, ajudar as  crianças a crescer seja a tarefa mais importante: eles representam a continuidade do teu amor, dos teus valores, da tua forma de viver. E a forma como os educas são o teu legado.

Isto visto de uma forma romântica.

A verdade é que há crianças que nascem mas não foram desejadas, há crianças que não são amadas, há formas de amor que são intoxicantes, há valores e formas de viver que não são, de longe, a mais saudáveis para transmitir para as gerações seguintes e também há quem não tenha filhos biológicos. Por escolha ou restrição biológica.

E se não houver filhos, mais por constrangimento biológico do que por decisão: a pessoa pode sentir-se desorientada.

Como se não houvesse forma de passar o legado.

E há. Aliás com ou sem filhos toda a gente tem um legado a passar. Pela forma como tocamos nas vidas dos outros.

E pode ser através de um sentido de missão. Ou um propósito. Uma qualquer paixão.

1. Se calhar estás a tocar nas vidas dos outros (e nem te apercebes disso)

Da mesma maneira que ás vezes somos afectados positivamente por pessoas que não conhecemos, nós também afectamos, pessoas que não conhecemos.

E isso é uma forma de legado, se a influencia representar a forma como temos uma perspectiva sobre algo.

Exemplos? Vários. Nem vamos falar nas óbvias, que são as figuras públicas ou históricas.

Toda a gente tem, no seu percurso de vida alguém que ajudou a definir a forma como vemos os relacionamentos, por exemplo.

Aquele casal de vizinhos que parece ter uma intimidade extraordinária nas pequenas coisas: andar de braço dado, falar de forma carinhosa um com o outro, etc... que a imagem ficou-te até hoje impregnada no DNA.

Porque te fez acreditar que é possível ter relacionamentos gratificantes, mesmo que tenhas crescido num ambiente algo disfuncional.

Ou ainda outro exemplo: aquela figura emblemática da cidade que tinha construído qualquer coisa que, para ti, enquanto criança, representava um império.

E essa pessoa, mesmo que não a tenhas conhecido pessoalmente: deixou-te um legado porque te fez querer e acreditar que também era possível para ti.

Só tu sabes quem te deixou um “legado” de forma positiva desde lá, do teu tempo de infância. Que te faz acreditar até hoje em coisas boas na vida.

Vês agora, esta nova perspectiva de legado? E isso acontece de forma não intencional.

2. A tua vida importa: porque tu podes ser um legado "per si"

E isso acontece só por estarmos vivos.

Não é que vamos viver a nossa vida em função dos outros, mas é ter consciência de que, directa ou indirectamente: tocamos nas vidas dos outros.

E nessa perspectiva: faz-nos querer ser a melhor versão possível de nós próprios, não faz?

Muito além das aparências: passa a ser importante  partilhar o que há de melhor em nós, e não o nosso pior. Porque directa ou indirectamente vamos afectar a vida de outros…

É uma perspectiva.

E é uma forma de veres a tuas atitudes, os teus projetos de  vida, numa forma de legado.

E se tu criasses um legado de forma intencional?

3. Deixar um legado intencionalmente

Há muita gente que faz isso (deixar legados materiais ou culturais) ou porque já herdou da família ou porque resolveu construir um legado. De forma notória.

Mas qualquer um pode fazer isso, de forma intencional, se calhar não de forma tão notória, mas igualmente gratificante.

Se te dedicares a algo que  gostas muito e partilhares  com alguém (e hoje a internet torna isso possível de uma forma muito facilitada): estás a deixar um legado.

Como? Fazendo alguma coisa que genuinamente ames. Chama-lhe propósito, chama-lhe missão. O que quiseres. Desde que o faças do espaço do coração e partilhes com outros.

É como se estivesses a fazer magia. Transformas-te num alquimista, na tua vida e na vida dos outros a quem “tocas”.

Independentemente de teres filhos ou não.

E quem disse que tem que ser um legado á escala de um Napoleão? Ou de um Nietzche? Ou de um Einstein? Ou de uns Rolling Stones?

Descobre o que te acende

Ok: tens responsabilidades familiares, tens uma qualquer actividade que te dá os rendimentos e não é necessariamente a tua paixão, não te inspira nem inspira outros.

Descobre o que te acende.

Descobre a tua paixão e dedica-te a ela como hobby, em tempo parcial.

E é assim que deixas um legado intencionalmente: dedicas-te a uma qualquer paixão e tornas-te uma inspiração para outros.

Nem que não saibas a quem estás a inspirar. O legado é teu porque estás a extravasar para fora e a partilhar uma qualquer paixão .

Pode ser o diário da tua paixão, quem sabe.

E quando partilhas com amor: tocas as vidas de outras pessoas.

E pode ser o amor à matemática, à estatística. Ainda que não saibas em que coração estás a tocar.

É como espalhar magia, pozinhos de perlimpipim que caem na cabeça de conhecidos e desconhecidos. O teu legado.

Além do mais, se tiveres filhos, não estás a colocar tanta pressão (injusta) sobre os teus filhos terem a responsabilidade de serem os únicos motivos do teu orgulho e da tua realização pessoal. Se o teu legado for exterior e independente deles.

O teu legado és tu, para além dos filhos existentes, sonhados ou até não nascidos.

Cada pessoa é um legado em si.

Getting Better Every Day

Legacy Hugs

From Body&Soul!

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"In nature, nothing is lost, nothing is created, everything is transformed"

Antoine Lavoisier, 1789

The Law of the Conservation of Mass

Author Eunice Veloso

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